“O vício da pornografia do meu marido destruiu o nosso casamento”

  EDITADO (Publicado em inglês; fonte no rodapé)

Não posso dizer que foi uma grande surpresa, ter encontrado pornografia no telemóvel do Ben*. As coisas já estavam estranhas entre nós há algum tempo. Ele tinha perdido o interesse em fazer sexo desde que as nossas gémeas nasceram, há 6 anos atrás. 

Eu assumi que ele já não me achava atraente. Assim que vês uma mulher a amamentar gémeos enquanto vê The Bachelor em calças sujas, algum desse romance tem de desaparecer, não é? Eu não me sentia sexy há muitos anos, e eu assumi que isso transparecia. 

Fora isso, o Ben e eu dávamo-nos lindamente. Éramos uma boa equipa enquanto pais, partilhávamos tarefas domésticas e adorávamos estar um com o outro, quando tínhamos oportunidade de estar sem as meninas. Ríamos muito e gostávamos um do outro. 

Apenas deixámos de ter sexo. 

 

O dia em que tudo mudou

Estávamos de férias na praia, quando eu agarrei no telemóvel dele para mudar a música que ele estava a ouvir. Eu vi logo na cara dele que havia alguma coisa que ele não queria que eu visse.

Não levou muito tempo até descobrir o que era. Apps atrás de apps, de uma variedade de estilos de pornografia. 

Nem sequer foi a pornografia que me chateou, foi o fato de eu ter achado que ele não estava interessado em sexo, e no entanto, ali estava a prova que eu estava errada. Ele apenas não estava interessado em sexo comigo. 

 

Os meus piores medos, tornados realidade

Ainda com o telefone dele, eu disse-lhe que não estava preocupada com a pornografia. Ele já via quando nos conhecemos e nunca me importei que ele visse ocasionalmente. 

Mas o problema foi que ele passou a preferir a pornografia a mim. 

Eu esperei que ele me dissesse que isso era imaginação minha, e que claro, ele ainda estava atraído por mim, mas foram aí que os meus piores medos se tornaram realidade. 

 

Ele confessou

Ele disse que era verdade. O meu corpo já não lhe agradava. Para ter uma erecção, ele tinha de ver mamas falsas, pêlos púbicos aparados e orgasmos simulados e exagerados.

Era a única forma de ele se conseguir excitar agora, aparentemente. 

 

Nunca fui assim

Eu sou real. Sou opinadora e faladora, espero ter um orgasmo real durante o sexo, e como sou um tamanho grande, tenho o porte de uma mulher normal. 

Ele disse-me que estava viciado e que não sabe como parar. Ele vê pornografia todos os dias e eu já não sou suficiente para ele. 

Eu nunca fui pessoa de desistir, e com todo o amor que nós tínhamos no casamento fora do quarto, eu disse-lhe que estaria disposta a lutar pelo nosso casamento se ele também estivesse. Se ele fosse procurar ajuda para esta dependência, e se voltasse a colocar a sua atenção sexual de volta no nosso relacionamento. 

Primeiro concordou em irmos fazer terapia, mas notei que foi-se distanciando. Ele insistiu em ir sozinho porque disse que esta era um problema que ele teria de resolver. 

 

Havia mais alguma coisa

Eu comecei a suspeitar quando ele ia falar da dependência ao terapeuta, que não era apenas acerca disso que ele falava, porque quando lhe perguntava, ele era sempre muito vago. Ele não queria falar sobre isso. Eu associava apenas a vergonha da parte dele, mas no fundo sabia que havia mais alguma coisa que se estava a passar. 

Comecei a ficar desesperada para saber o que estava a acontecer. Não haviam melhorias em casa. Quanto mais se afastava, mais eu o tentava alcançar, e aos pedaços da nossa relação - fazia questão de saber onde ele estava a toda a hora, e com quem estava. 

Eu estava a tornar-me naquelas mulheres chatas e inseguras; algo que eu nunca tinha sido, e que odiava. 

 

A bomba

Chegou um dia em que o Ben me convidou para ir com ele ao aconselhamento, e foi nesse dia que tudo ruiu à minha volta. O meu marido sentou-se naquela sala, com o terapeuta, e anunciou-me que queria o divórcio. 

Foi apenas há 5 semanas atrás que eu tinha descoberto a pornografia no telefone - quando achei que éramos felizes casados. 

Fiquei pasmada. 

Eu tentei dizer-lhe que ainda era cedo, que estava disposta a estar com ele durante os momentos que ele ainda recebia ajuda para o problema. Mas ele abanou a cabeça e olhou para mim como se fosse uma estranha. Na cabeça dele, a nossa relação já tinha acabado há muito tempo. 

Senti que me tinham tirado o tapete e que tudo o que construímos neste casamento estava desfeito. 

 

Estava completamente devastada

Achei que este casamento era para a vida, e agora sou uma mão solteira - começando do zero aos 44 anos. É algo que nunca pensei que fosse acontecer. 

Mas por mais doloroso que tenha sido, estou contente por ter apanhado o telefone do meu marido naquele dia. Forçou-nos a enfrentar a verdade acerca do nosso casamento. 

Apesar de doer bastante, eu sei que assim que as feridas sararem e estiver habituada à minha nova vida, eu terei a oportunidade de encontrar alguém que não precise de pornografia - alguém que me ache atraente como sou e que queira criar intimidade de forma verdadeira. 

No longo prazo, o Ben fez-me um grande favor. É uma oportunidade de uma nova vida, e assim que estiver pronta, tenciono agarrá-la com as duas mãos. 

*Ben é um nome fictício para proteger a identidade do indivíduo.