Odette Delacroix fala sobre as dificuldades da indústria pornográfica

Devido a uma série de mortes de atrizes pornográficas nos últimos meses, a atriz pornográfica fetichista Odette Delacroix resolveu revelar algumas das condições e dificuldades do meio.

 

As mortes das atrizes Olivia Nova (20), August Ames (23), Yuri Luv (31) e Shyla Stylez (35) têm provocado uma onde de curiosidade acerca do mundo da pornografia, e começaram inadvertidamente um novo debate sobre as condições na indústria.

Sabe-se que August Ames sofreu de depressão e bullying online, e acredita-se que Yuri terá morrido de uma overdose. 

Face a este cenário, Odette desvendou alguns dos problemas que as atrizes enfrentam, e como tanto o público, como a indústria, não têm preocupação com o seu bem-estar. Tanto homens como mulheres a trabalhar em frente às câmaras têm receio de falar sobre os seus problemas - sejam de ordem mental, consumo de drogas, ou problemas de ordem alimentar - por terem medo de não serem contratados para alguns filmes.

“Elas todas estavam a fazer bastante dinheiro, tinham montes de fãs - logicamente, deveriam estar felizes. 

“Assim como eu, a August também lutava com depressão e tentámos vários tratamentos. Também sofreu muito bullying online por causa das operações cosméticas - o preconceito com o envelhecimento deixava muita gente preocupada sobre se ela estaria a envelhecer [para o standard da indústria].” 

 ”A Yuri também era deslumbrante e bem-sucedida mas confessou que detestava como uma rapariga de 18 anos ficava com o seu trabalho - apesar de ela ter as aptidões e das outras aparecerem sob o efeito de drogas”.

 

Bullying: Um problema transversal

Odette revela que o bullying é um problema na indústria, online e offline. 

”Aquilo que ajudou estas raparigas - mas que eu acredito que também as matou - foram as redes sociais”. 

”Não há um único dia na minha carreira em que não tenha sofrido abuso de alguém, seja pessoalmente, ou online”. 

”Os atores desta indústria são assaltados emocionalmente - e de todos os ângulos, mesmo dentro da indústria” 

 

O problema da “juventude eterna” ou a procura de raparigas mais novas? 

Uma das pressões que Odette refere que existe cada vez mais, é das atrizes se parecerem cada vez mais novas, para responderem a uma crescente procura de vídeos que evocam tweens ou pornografia “quase ilegal”.

A mesma atriz diz ainda que quando recebeu o maior número de convites para filmes foi quando perdeu mais peso, e se parecia mais com uma menina: “eu tive mais trabalho do que em qualquer altura da minha vida - aliás, cheguei a ganhar tanto dinheiro que comprei uma casa para a minha família e comprei um carro para mim. Isto porque estava tão magra que parecia uma menina”.

”Nunca ninguém perguntou se eu estava bem - eu achava que parecia alguém que sofria de cancro, mas esse look  era a tendência, era exatamente isso que procuravam.” 

 

A pressão de substituição

A competição é bastante intensa, e isso significa que as raparigas são pressionadas a gravarem cenas que não queriam gravar - caso contrário, são facilmente substituíveis. 

”Costumava ser que uma atriz começava com cenas a solo, depois fazia cenas com outras mulheres, depois sexo com homens, e o sexo anal - progredia-se a este ritmo e tentava aproveitar-se cada momento [da carreira] o mais possível” .

”Agora as raparigas têm uma longevidade de três meses e já está - deixam de ser chamadas. Só se forem spinners - com menos de 45 KG e se pareçam muito mais novas.”

 

A pornografia e a saúde mental

”Eu não sei se a pornografia faz as pessoas deprimidas ou se as pessoas que são deprimidas se sentem atraídas para a indústria [pornográfica]” 

A atriz considera que a pornografia a ajuda a lidar com a depressão, mas que o seu sistema de apoio todo foi desaparecendo. 

Ela espera que ao iniciar esta conversa, mais pessoas possam partilhar a sua experiência enquanto atores pornográficos.